• Capa 1749
  • Capa 1752
  • Capa 1753
  • Capa 1754
  • Capa 1755

Quando tudo começou...

Tudo começou em 2003, quando comprei meu primeiro cão, aXeeva. Uma cadela da raça Husky siberiano, de cor vermelha, de uma criadora combastante sotaque vinda da argentina. Vi o anuncio dela em um classificado dojornal local e eu e minha prima ligamos, marcamos um horário e fomos sozinhas.Chegando lá havia 2 opções, um machinho vermelho pequenininho e ela, uma doce emeiga filhotinha fofa. =}

Comprei uma briga bem grande com meus pais (pois na época sótinha 15 anos e quase nenhuma responsabilidade), mas foi a melhor coisa que fizna vida, pois depois dela consegui achar onde eu me encaixava nesse mundão!

Os anos passaram e ela sempre foi a minha cachorrinha pet.Levava ela pra todos os lugares possíveis (e muitas vezes impossíveis).

Com um ano começou a apresentar alguns pontinhos estranhosno olho esquerdo que mais tarde fomos constatar que era catarata, doençagenética e super comum na raça.

Assim que tirei minha carteira de motorista qual foi aprimeira coisa a fazer? Levar a Xeeva na casa de amigos e pra conhecer a praiae brincar! Mas então tu pensas que foi de carro não é?! De moto!!!! Peguei umamochila grande e coloquei a Xeeva dentro e com ela nas costas, literalmente, fomos passear. Medo dapolicia era pouco...

Anos mais tarde, já em 2007/2008, eu estava pensando emcruzar a minha filhota Xeeva. Ela já estava com 4/5 anos e achei que era umaidade interessante. Ter uma ninhada, ficar com um filhote e continuar com osmeus huskies. Nessa época fui atrás de mais informações sobre a raça, pois estavaa procura de um macho interessante para ela. Não qualquer cão que parecesse comum husky. Pois bem, nessa mesma época estava fazendo zootecnia na universidadefederal de santa catarina UFSC e vi um cartaz sobre exposições de cães perto daminha faculdade. Fiquei bem entusiasmada sobre o assunto e na data marcada fuiparticipar (não imaginava que existia exposições de cães no Brasil). Foi quando descobri esse fantástico mundo novo que é a CINOFILIA.Foi meu primeiro contato com o kennel e criadores em um match no bairro SantaMônica. A partir daqui comecei meu vício por cães e como meu amigo Elias comenta, “meu gene oculto pra assuntos caninos foi ativado”.



Quando comecei a pesquisar sobre possibilidades de machospra Xeeva vi que em Santa catarina não havia nenhum criador cadastrado e nenhum Husky que participasse das exposições realizadas no estado então comecei aprocurar no Brasil inteiro pela internet. Encontrei muitas criadoresprincipalmente da região de São Paulo, mas todos exigiam que a cadela tivessepedigree para poder cruzar... Foi então que descobri sobre o CPR, Certificadode Pureza Racial. É uma espécia de prova para que o cão tenha o seu “falsopedigree”. O cão é avaliado por 3 juízes de exposições de morfologia e se ostrês juízes acharem que o cão é realmente da raça que o dono diz ele concedem apossibilidade de ter o CPR, que não é o Pedigree mas é uma forma de registro (mais tarde vim a entender que CPR é a abominação dos criadores sérios e coretos).

Lá foi a Juliana tirar o CPR da Xeeva pra poder cruzar elacom um macho interessante. Fui em um show que aconteceu nos ingleses e lá ostrês juízes concederam a Xeeva o CPR. Eu fiquei muito feliz depois disso, poisfinalmente a minha filhota tinha um “pedigree” e poderia continuar os planos.

Nessa mesma época eu tive a maior sorte na minha históriacinófila porque eu conheci a Mariana Lese Hoffman, do Canil Bukharin. Se nãofosse ela eu seria hoje somente mais uma das tantas “cachorreiras” que se vêpor ai cruzando seus cães sem critério e vendendo filhotinhos com problemasgenéticos a torto e a direito. Encontrei a Mariana em um post no Orkut falandosobre porque cruzar seu cão, a importância do pedigree e dos exames genéticosda raça. Antes disso sempre pensei que pedigree era só pra encarecer o cão, quetodo cão deveria ter filhotes e não fazia a mínima ideia do que eram problemasgenéticos... muitos menos que se podia fazer testes pra saber se algum ser vivoos tinha. Escrevendo isso agora chego até a rir pois toda essa informações, pormuito tempo, está livre e grátis na internet, mas nós não temos o mínimo cuidadode procurar e querer saber mais.    

A Mari começou a me abrir os olhos pra criação. Começou a memostrar porque cruzar cães e como fazer isso de uma forma correta. Ela abriumeus olhos sobre o motivo de tantas raças existirem, que todas tem funçõesespecíficas e que por isso tem determinada morfologia, temperamento ecaracterísticas e que todo bom criador tem que avaliar isso na hora de cruzarseus cães. Cruzar cães somente pra obter um filhote fofinho não é um motivoplausível. Se você simplesmente quer um cão de companhia você pode adotar umque realmente precisa do seu amor, alimentação e carinho.

A Mari me fez pensar sobre porque eu queria cruzar a Xeeva ecomo eu poderia ser egoísta fazendo isso já que, principalmente, ela tinhacatarata desde o primeiro ano de idade, que isso seria um problema que osfilhotes dela também teriam ou carregariam.

A Mari me explicou tudo sobre huskies, de como ler o padrãocorretamente, de como eu deveria fazer pra ser uma boa criadora e não uma“vendedora de filhotes”. Ter achado a Mari nesse “mundo cão” foi a maior sorteque tive relacionada a cinofilia. =)

Logo em seguida conheci a Amanda. Estudante de veterináriado Paraná. Foi a Mari que nos apresentou virtualmente. Ela falou que uma outragarota estava começando a se interessar pela raça tbm, assim como eu. Essagarota era a Amanda que tinha acabado de comprar sua husky piebald de um canildo Paraná. Na hora que comecei a conversa já logo me identifiquei com ela. Umamenina muita doce e querida e inexperiente no assunto como eu. Começamos aconversar bastante sobre a raça e fomos fazendo um grupinho de amigas, Eu, Marie Amanda. A mari sempre nos aconselhando sobre todos os assuntos huskísticos.Meses mais tarde a cadelinha que a Amanda havia comprado começou a apresentarcinomose, doença neural grave que deixa diversas sequelas quando o cãosobrevive. Provavelmente essa doença veio do criador que assim como o da Xeeva,não fazia nenhum tipo de cuidado ou exame pra prevenir isso. E assim como aXeeva nem ao menos pra se preocupar com pedigree o canil se preocupou.Principalmente depois do acorridos que a cadelinha da Amanda morreu por essaterrível doença nós começamos a realmente prestar atenção sobre a criação esentir na pele (a Amanda mais que eu) como poderia ser bem arriscado e sério acriação de cães. Todo cão é uma vida e o criador é quem se responsabiliza poressa pequena vida que permitiu nascer. Seja um cão, gato, coelho, cavalo. Ocriador é responsável por esse ser que programou e planejou vir a vida e de comoisso poderia ser importante e “arriscado” ao mesmo tempo.

Continuamos muito amigas e fofocando quase que todos os diasaté que consegui convencer a minha família que queria um outro cão. Agora umcão vindo de um bom criador que fizesse exames e que servisse pra minha futuracriação. A Mari me falou de um criador na Argentina que fazia sempre os examesde fundo de olho nos cães dele e que nesse época estava com ninhadas. Consegui ocontato dele e ele me disse de uma ninhada que havia acabado de nascer em 8 demarço. Inicialmente eu queria outra fêmea, mas infelizmente (ou hoje felizmente)só havia um macho disponível. Minha família em maio iria viajar pro Uruguai eeu aproveitei pra trazer o meu cão que estava na argentina já que era somentenecessário fazer uma viagenzinha de buquebus. Marquei com o criador e fui lápegar o meu mais novo husky e responsável ainda mais pelo meu amor a raça.Dmitri, Dagger del Ykpahia estava vindo. Fui lá em Buenos Aires buscar meu novobebe. Voltei pro Brasil com o meu mais novo filho. Todos os meus parentes eamigo achavam um absurdo o que eu paguei nele pois “era só um cão”, mas hojevejo que proporcionalmente paguei muito pouco perto de toda alegria que ele jáme deu. Comecei os treinamentos pra show e truques afinal esse seria o meu cão“top” exemplo pra tudo que eu gostaria que a minha criação fosse. Desdepequenininho fiz os treinos certinhos, alimentação adequada, levei nasexposições desde os 4 meses, tirei todos os títulos Brasileiros e quandopossível os internacionais também.

A Xeeva foi minha primeira Husky, mas o Dmitri foi o Huskymais importante na minha criação e da minha vida, pois com ele pude realmente aprender o que eracriação, show, treinamento e Husky de verdade. Com ele que pude mostrar o que eu queria pro meufuturo de cinofilia.

Ele mais que a Xeeva pode aproveitar realmente muitasviagens, praias, brincadeiras, shows...

Mas tendo somente um macho não poderia dar continuidade a minhacriação e em 2011, depois de ter contato com a raça por mais de 8 anos eestudar ela a fundo por mais de 3 anos comecei a procurar fêmeas. A Marinovamente soube de uma ninhada do canil St Lazarus. Um canil muito bom e sérioda Guatemala. A ninhada em questão era de um cão muito correto vindo dos Estados Unidos de uma linha muito boa e saudável e uma fêmea do mesmo canil do Dmitri,Del Ykpahia, que também era muito boa e saudável já que ambos os criadoresdesses cães realizaram os exames de saúde nos cães.

Comecei a ficar bem interessada na ninhada, pois era o queestava pensando pra minha criação, mas não poderia ter mais um cão, pois nãotinha espaço e tempo pra dedicar a ele, foi então que tive a terceira maior sortena minha vida cinófila, conheci a Katiane Nordeles do Rio Grande do Sul. Nósnos identificamos muito rápido. Ela havia recentemente acompanhado as nossasdiscussões pelo Orkut e queria muito começar a criar também. Fazia pouco tempohavia comprado 2 cães do Paraná. Ficamos muito amigase então as idéias começaram a pipocar nas nossas cabecinhas... Seria uma ideiamuito boa se ela pudesse ficar com a cadelinha da Guatemala, essa cadelinhaviveria com ela e seria dela, mas eu buscaria a cadelinha na Guatemala efaríamos uma copropriedade da cadelinha.

A Kati achou a ideia perfeita e então começamos a organizaras coisas pra viagem. Em março lá foi a juliana, a mãe dela, Edite, e uma tia,Eliana, pra Guatemala buscar essa nova cadelinha e conhecer o país. Chegando lá conheci as criadoras da cadelinha, Maria Elisa Alvarez e Corina Gonzalez. Pessoas fantásticas com umacriação muito séria e correta e de uma personalidade muito forte e rigidamente correta. Essas características me fizeram gostar aindamais da criação delas e de seus cães e realmente entender ainda mais em comogostaria de ser daqui alguns anos com a minha criação. Maria Elisame ensinou muitas coisas sobre huskies em tão pouco tempo que estive lá, nóstambém ficamos muito amigas e com um elo muito forte que foi a nossa novafilha, Krasivy – St. Lazarus Gaiatry.

Trouxemos a nossa mais nova menina pro Brasil. Ela comcerteza era muito mais do que esperávamos. Tinha uma ótima estrutura, lindacabeça, era muito dengosa. Seu tamanho era pequeno, mas sendo fêmea e estandodentro do padrão isso era o que menos importava. Já no primeiro mês que elachegou no Brasil participou do Sled Day e logo em seguida de uma exposição demorfologia. Ela com certeza era a cadela certa pra começar a criação quetanto sonhei.

Levei ela para casa da Kati e enquanto isso continuei asexposições e treinamentos com o Dmitri. Fomos em diversas exposições no ano eem uma em especial que foi a SICALAM, maior exposição da América do Sul noUruguai, montevidéu. Eu já tinha certeza que realmente gostaria de começar aminha criação com o Dmitri e nessa exposição pude ter ainda mais certeza quandoele ganhou 2° de BISS na especializada de grupo no evento. Eu quase nãoacreditei, fiquei sem palavras na hora, foi uma das melhores sensações que tivena cinofilia desde que comecei. Um acontecimento que será sempre inesquecívelpra mim. Junto dessa exposição aconteceu outra ponto importante da minhahistória cinofilia que foi quando tive que entregar TEMPORARIAMENTE o Dmitripra uma amiga no Uruguai. Ela ficou como responsável domeu filho durante um ano, pois eu iria viajar pra Irlanda pra aprender inglês. Eu não podia perder essa oportunidade eainda mais agora que estava começando a minha criação e tinha poucos cães praainda poder cometer algumas loucuras. Dmitri ficou no Uruguai e euvoltei sem nenhum filhote pra casa.

Finalmente chegou a hora de eu viajar. Krasivy com aKatiane, Dmitri no Uruguai, Xeeva com meus pais. Todos os meus cães estavamseguros e eu poderia viajar tranquila.

Chegando na Irlanda fui logo na primeira exposição queaconteceu em Dublin, no dia 12 de novembro de 2011. Amei a exposição e pude vermuitas coisas diferente da cinofilia brasileira a começar com o número de cães no evento e a quantidade de pessoas la. Ambos eram pelo menos 10 vezes mais! Nessa exposição, meio que semquerer, conheci uma criadora em especial, Sue Holmes do canil Suraliam. Nosconhecemos muito timidamente nesse dia e achei que não seria tão fácil fazerbons amigos na Irlanda (nem tão rápido assim).

Essa foi a 4º melhor coisa que me aconteceu na minha vidacinofilia, ter conhecido a Sue e o Ralph. Pessoas maravilhosas que me ajudarame me ensinaram ainda mais sobre huskies.


E de aqui por diante continuo escrevendo e vivendo essemundo cinofilia que acontece a cada exposição, a cada match, a cada contato comcriadores de diferentes idéias, mas o mesmo objetivo de criam cães saudáveis eaptos pra suas funções.

 

Ju Danielewicz

Novidades

Raça norueguesa será criada no Brasil


Em dezembro de 2017 chegou ao País o primeiro exemplar da raça Norsk Lundehund: uma fêmea chamada Tixa, hoje com 4 anos, trazida por Juliana Danielewicz. “Mesmo na América Latina sei apenas de um macho nas Ilhas Malvinas”, conta Juliana, que importou Tixa da Polônia. “Mas ela nasceu na Dinamarca, país vizinho da nação de origem da raça, a Noruega”.

                                                         

Juliana conheceu o Norsk Lundehund por meio de um livro sobre raças. Em seguida, em 2012, o viu pessoalmente na Exposição  Mundial na Áustria: foi amor à primeira vista. “O que mais me chamou atenção foi sua fantástica flexibilidade, o Norsk Lundehund consegue abrir os braços lateralmente como os gatos e encostar a cabeça no dorso facilmente, e o fato de ser uma das raças mais raras do mundo. Se os criadores não começarem a criá-la em escala maior, ela irá se extinguir e, assim, gostaria de contribuir de alguma forma”, finaliza Juliana, que pretende trazer um macho da Holanda, país com exemplares de grande qualidade. Mais informações: www.danielewicz.com.br


por Autor(a): Fabio Bense | Colaborador(es): Jornalismo TopCo | Cidade: Campinas | 03/01/2019 - 18:00





https://www.caes-e-cia.com.br/materias/ler-materia/641/cao-raro

Em dezembro de 2017 chegou ao País o primeiro exemplar da raça Norsk Lundehund: uma fêmea chamada Tixa, hoje com 4 anos, trazida por Juliana Danielewicz. “Mesmo na América Latina sei apenas de u... Saiba Mais

Entre em contato